
Laurent Fignon, antigo ciclista e vencedor de duas edições da Volta a França, diz hoje em entrevista ao jornal L’Équipe que se dopava quando corria, porque isso “fazia parte do trabalho, era parte do jogo”. O Frances, que luta contra um cancer e já disse não ser possível determinar se a doença teria sido provocada pelas práticas dopantes do passado, afirma que a dopagem estava enraizada no pelotão da década de 1980. “Era o sistema”, declara, sublinhando que “foi preciso o caso Festina, o crescimento da dopagem organizada, para tomarmos consciência da situação”.
O antigo corredor faz uma distinção entre a dopagem do seu tempo de corredor e aquela que passou a existir a partir da década de 1990. “Nós sabíamos que todos o faziam e não mudaria muito nem os resultados nem a hierarquia. Além disso era mais ocasional e pontual e nem sempre nas maiores corridas”, revela Laurent Fignon, “constatando” que os reinados de Miguel Indurain e Lance Armstrong no Tour coincidem “com uma mudança radical [nos esquemas de dopagem] que hoje são muito claras”, conclui.

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