
A 96ª edição do Tour De France começa em Mónaco, no dia 4 de Julho, e termina, como manda a tradição, em Paris, depois de disputadas 21 etapas, no dia 26 de Julho. Os 180 corredores, que representa as 20 equipes, vão percorrer cerca de 3500 quilómetros, 55 dos quais em regime de contra-relógio individual. Num percurso que tenta inovar, por exemplo com uma chegda de alta montanha - Mont Ventoux - na penúltima etapa, as bonificações voltam a estar ausentes.
A existência de apenas três chegadas em alto conjugada com a exiguidade dos quilómetros a percorrer em contra-relógio individual, fazem deste Tour, teoricamente, um dos mais abertos dos últimos anos. Os escaladores têm pouco terreno para marcar diferenças e os contra-relogistas não dispõem de muita estrada para se distanciarem. Esta situação vai favorecer quem for mais regular ou quem se revelar mais afoito, surpreendendo a concorrência em momentos inesperados.
4 de Julho - 1ª Etapa: Mónaco - Mónaco, 15,5 km (C/R Individual)

A corrida não começa com um prólogo tradicional. Os 15,5 quilómetros do contra-relógio individual do primeiro dia quase duplicam a distância (8 km) que os regulamentos estipulam como máxima para a etapa designar-se prólogo. Mas não é só a distância que nos indica estarmos numa jornada de competição acesa e potencialmente importante. Partindo do circuito monegasco de Fórmula 1, o traçado leva os concorrentes para uma subida lenta de 7 quilómetros, pontuável (4ª cat.) para o prémio de montanha. O regresso ao coração do Mónaco faz-se por uma descida técnica. Esta etapa tem todos os ingredientes para servir de primeiro braço-de-ferro entre os grandes favoritos. Na luta particular no seio da Astana, veremos quem assume a liderança interna logo no primeiro dia, Armstrong ou Contador.
É a primeira vez que o Mónaco recebe uma partida de etapa no Tour e a sexta que acolhe uma chegada.
5 de Julho - 2ª Etapa: Mónaco - Brignoles, 187 km

A primeira etapa em linha não se disputa em terreno plano. Grande parte da jornada é passada nas estradas de sobe-e-desce do Tour de Haut Var. Os sprinters terão concorrência dos classicómanos na luta pela vitória.
Segunda partida de etapa do Mónaco. Estreia de Brignoles na recepção ao pelotão como final de etapa.
6 de Julho - 3ª Etapa: Marselha - La Grande Motte, 196,5 km

A tirada desenrola-se numa zona bastante ventosa, que poderá ajudar à formação de “bordures”. Aos candidatos à vitória na Grande Boucle exige-se atenção e um bom posicionamento no seio do pelotão, de modo a prevenir surpresas e perdas de tempo que venham a revelar-se irrecuperáveis. Os últimos 80 quilómetros são totalmente planos, favorecendo os roladores e os sprinters.
Marselha é pela primeira vez palco de uma partida. Pela terceira ocasião na história da corrida, a meta está colocada em La Grande Motte.
7 de Julho - 4ª Eatapa: Montpellier - Montpellier, 39 km (C/R Colectivo)

Desde 2005 que não havia contra-relógio por equipas na Volta a França. O regresso faz-se em moldes diferentes do passado, com um “crono” mais curto do que aqueles que fizeram história. Apesar de pouco extenso para o que era comum no Tour, trata-se de um exercício duríssimo. A primeira metade da prova disputa-se em terreno ondulado, com várias subidas e descidas a quebrarem o ritmo e a fazerem sofrer os corredores. A segunda parte é mais plana e ao jeito dos especialistas. Mais uma jornada para estabelecer diferenças entre os pretendentes ao trono de Paris.
Motpellier recebe uma chegada pela 27ª vez. É a terceira ocasião que assiste à partida de uma etapa.
8 de Julho - 5ª Etapa: Le Cap d’Agde - Perpignan, 196,5 km

Os conhecedores da região alertam para a possibilidade de o vento ser protagonista nesta longa viagem de quase 200 quilómetros. Apesar de teoricamente destinada a uma discussão ao sprint, há que esperar para ver se não se formam “abanicos”.
Estreia de Le Cap d’Agde como localidade de partida na 34ª etapa que termina em Perpignan.
9 de Julho - 6ª Etapa: Girona - Barcelona, 181,5 km

A Costa Brava recebe o pelotão do Tour para uma etapa de sobe-e-desce que deve deixar os homens de ataca a esfregar as mãos. A meta está situada na subida a Montjuic, exigindo mais potência do que velocidade. Se houvesse bonificações, a luta poderia ser maior entre os principais protagonistas da geral individual, mas a existência de cortes é uma possibilidade forte, pelo que é de crer que a emoção seja muita para os espectadores.
Girona nunca acolheu uma partida do Tour e Barcelona experimenta pela primeira vez a sensação de acolher a meta.
10 de Julho - 7ª Etapa: Barcelona - Andorra Arcalis, 224 km

A primeira etapa com chegada em alta montanha é dura, com a longa extensão a juntar-se às cinco contagens de montanha. Aquela que coincide com a meta é de categoria especial e situa-se a 2240 metros de altitude. É uma escalada de 10,6 quilómetros com uma inclinação média de 7,1%. Nos últimos anos, temos assistido a etapas de montanha abordadas com pinças e muitos cuidados defensivos, com os candidatos ao triunfo a marcarem-se e abdicarem dos ataques. No entanto, com apenas três chegadas em alto, o Tour deste ano não se presta a estes cálculos, sob pena de desilusão para os melhores trepadores. Como curiosidade, lembremo-nos que Lance Armstrong ganhou sempre tempo aos principais concorrentes na primeira chegada de montanha de cada um dos sete Tours que conquistou.
É a quarta vez que Andorra Arcalis acolhe uma chegada do Tour. Barcelona nunca viu partir a caravana.
11 de Julho - 8ª Etapa: Andorra-a-Velha - St. Girons, 176,5 km

Com a montanha longe da linha de chegada, os favoritos devem aproveitar para recarregar baterias. Quem tiver perdido tempo na véspera tem aqui uma oportunidade de mostrar ainda estar “vivo”. Os pretendentes à camisola da montanha terão de mostrar-se atentos e activos.
Tanto a partida como a chegada estão colocadas em localidades que se estreiam nessas funções.
12 de Julho - 9ª Etapa: St. Gaudens - Tarbes, 160,5 km

Um dia de dureza provavelmente sem impacto na disputa da camisola amarela. Sobem-se dois colossos - Col d’Aspin e Tourmalet -, mas a meta dista 70 quilómetros da última dificuldade.
Terceira partida de St. Gaudens e quarta chegada a Tarbes.
14 de Julho - 10ª Etapa: Limoges - Issoudun, 194,5 km

O Dia Nacional de França, que assinala a Tomada da Bastilha, é sempre palco dos ataques dos corredores franceses que, nesta data mais do que em todas as outras, querem vencer uma etapa. Na edição deste ano do Tour, a tirada do Dia Nacional de França sucede à primeira jornada de descanso e fica marcada por ser a primeira das duas etpas da prova em que os auriculares estão proibidos. Se o percurso indica uma tirada para discutir ao sprint, todas as outras varáveis atrás expostas apontam para que os fugitivos tenham muitas possibilidades.
Terceira saída de Limoges e primeira chegada a Issoudun.
15 de Julho - 11ª Etapa: Vatan - Saint Fargeau, 192 km

Mais do que uma etapa de uma volta de três semanas, o traçado assemelha-se ao de uma clássica de um dia. O terreno está em permanente sobe e desce e os últimos 50 quilómetros correm-se em estradas estreitas, obrigando ao esforço de colocação dos candidatos à vitória final.
Estreia do local de partida e também da localidade de chegada.
16 de Julho - 12ª Etapa: Tonnerre - Vittel, 211,5 km

Uma jornada que, não sendo crível que ajude a definir a classificação geral, irá somar desgaste a todo o pelotão. São mais de 200 quilómetros em permanente falso plano, tando ascendente como descendente. Um dia que ajuda a massacrar os músculos.
Mais duas localidades que recebem pela primeira vez a partida e a chegada do Tour.
17 de Julho - 13ª Etapa: Vittel - Colmar, 200 km

Após uma passagem discreta pelos Pirenéus e sem qualquer abordagem ao Maciço Central, a média montanha dos Vosges, reflectida nesta etapa, pode ser muito importante. Os 200 quilómetros da viagem praticamente não têm pontos de descanso. Uma montanha de segunda categoria, duas de terceira e mais duas de primeira - a última destas a 20 quilómetros da meta -, vão ser aproveitadas para o lançamento de alguns ataques. A interdição de uso de auriculares pode dar um toque épico ao desempenho de algum corredor mais audaz.
Vittel já viu uma vez o pelotão do Tour a partir, Colmar verá os herós do asfalto a chegarem pela sétima ocasião.
18 de Julho - 14ª Etapa: Colmar - Besançon, 199 km

Mais uma longa tirada na qual os velocistas terão uma palavra a dizer, emnbora a fadiga acumulada e o sobe-e-desce da ligação possam afastar alguns finalizadores da disputa pela glória.
Colmar nunca foi partida de etapa. Besançon é um clássico do Tour, tendo recebido já 16 finais de etapa.
19 de Julho - 15ª Etapa: Pontarlier - Verbier, 207,5 km

A primeira etapa alpina não faz jus a este complexo montanhoso, pois, além da subida para a meta, não há dificuldades de monta no percurso. A derradeira escalada tem apenas 8,8 quilómetros a uma inclinação média de 7,5%.
Pontarlier ouve o tiro de partida do Tour pela segunda vez na história da competição. Nunca o pelotão chegou ao alto de Verbier.
21 de Julho - 16ª Etapa: Martigny - Bourg St. Maurice, 159 km

O regresso à estrada após o segundo dia de repouso faz-se numa etapa de duas bossas. Não há terreno plano. Começa-se o dia a subir para Grand Saint Bernard, desce-se e volta-se a subir, desta feita para o Petir Saint Bernard. Do topo da montanha até à meta distam 31 quilómetros, a percorrer em descida.
Primeira vez que a caravana sai de Martigny e segunda que demanda Bourg St. Maurice.
22 de Julho - 17ª Etapa: Bourg St. Maurice - Le Grand Bornard, 169,5 km

É o mais próximo de uma etapa-rainha do Tour que se encontra nesta edição da corrida, embora não integre qualquer montanha de categoria especial. Estamos perante uma tirada alpina de elevada dificuldade e perante o único carrossel a sério deste Tour, o que diz bem da falta de terreno específico para osos trepadores fazerem a diferença. A jornada inclui uma montanha de segunda categoria e quatro de primeira. A chave da decisão deve estar no diabólico encadeamento de duas subidas. Ao quilómetro 140 chega-se ao topo de La Romme (8,8 km a 8,9%), que se estreia no Tour, seguindo-se uma curta descida de 5 quilómetros, que antecede a escalada para La Colombière (8 km a 8,2%). A meta está a 15 quilómetros, em descida, deste pico.
Tanto a partida como a chegada acontecem pela segunda vez nestas localidades.
23 de Julho - 18ª Etapa: Annecy - Annecy, 40,5 km (C/R Individual)

Dia há muito esperado pelos especialistas, embora uma contagem de montanha de terceira categoria, ao quilómetro 28,5, prometa dores de pernas e até de cabeça aos contra-relogistas.
Annecy nunca viu partir uma etapa do Tour, mas já assistiu a duas chegadas.
24 de Julho - 19ª Etapa: Bourgoin Jallieu - Aubenas, 178 km

Um prémio de montanha de segunda categoria, a 18 quilómetros da meta, ameaça ser o ponto quente de uma jornada de transição entre o contra-relógio e a última tirada de montanha. Os mais afoitos poderão aproveitar a derradeira dificuldade da etapa para ganhar algum tempo.
Bourgoin Jallieu já deu sinal de partida ao pelotão do Tour uma vez, o mesmo número que assinala as chegadas a Aubenas.
25 de Julho - 20ª Etapa: Montélimar - Mont Ventoux, 167 km

Ao penúltimo dia, os corredores são confrontados com uma duríssima chegada em alta montanha. Os 21,1 quilómetros (7,6% de inclinação média) a trepar até ao cimo do Mont Ventoux vão decidir o vencedor da edição 96 da Volta a França, depois de cerca de uma hora de subida. O cansaço acumulado em todos os participantes vai equilibrar o ajuste de contas entre os trepadores e aqueles que apenas se defendem na montanha. Quem tiver conseguido acumular mais reservas terá motivos para comemorar no local onde faleceu Tom Simpson em 1967, perante a aridez da paisagem natural, mas certamente com a alegria do calor do público. Antes da última escalada, a curta ligação de 167 quilómetros contém três contagens de montanha de terceira categoria e uma de quarta.
Montélimar vai assistir pela primeira vez ao arranque de uma tirada. O Mont Ventoux segura o pano de meta pela oitava ocasião no Tour.
26 de Julho - 21ª Etapa: Montereau Fault Yonne - Paris, 164 km

É o fim de festa. Os vencedores das diferentes camisolas brindarão com champanhe durante a etapa. No final, à nona passagem pela meta, nos Campos Elíseos, os sprinters que tenham aguentado os 21 dias de competição deverão ter a honra de discutir o triunfo na última etapa. É possível que o vencedor da camisola verde só se conheça depois das últimas pedaladas.
Montereau Fault Yonne acolhe o começo de uma etapa pela terceira vez. Já Paris é a cidade campeã dos finais de etapa. No dia 26 de Julho será a 135ª (!) ocasião que a cidade-luz assiste à chegada do pelotão, o que significa que houve edições do Tour em que a capital francesa foi palco de mais do que uma etapa.
fonte:jornalciclismo